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Câmara avança para criar Museu e Memorial do Césio-137 em Goiânia

O projeto de lei apresentado pelo vereador Lucas Kitão foi aprovado em primeira discussão e votação no plenário da Casa

por Redação Aqui é Goiás
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Os vereadores da Câmara Municipal de Goiânia iniciaram a discussão da criação do Museu e Memorial do Césio-137 no plenário da Casa, nesta quarta-feira (3). O projeto de lei de criação do memorial é do vereador Lucas Kitão (Mobiliza) e foi aprovado por unanimidade em primeira discussão e votação.

O projeto de lei visa criar um espaço, a ser definido pelo Paço Municipal, para preservar a memória e reconhecer a história do maior acidente radiológico da história fora de uma usina nuclear. O acidente aconteceu em 13 setembro de 1987 e está prestes a completar 39 anos.

O acidente radiológico aconteceu após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia. O evento com o Césio-137 atingiu direta e indiretamente mais de mil pessoas e quatro vítimas faleceram após o contato direto com uma cápsula de 19 gramas da substância em um ferro-velho, que funcionava na região central da capital.

De acordo com o autor da matéria, a proposta reconhece o trabalho dos profissionais e dá motivo justo e histórico para que sejam feitas homenagens às vítimas, além de valorizar a história da Capital.

Kitão lembra ainda que seu projeto antecede o sucesso da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, que abordou o episódio radiológico, mas teve praticamente todas as gravações realizadas no estado de São Paulo, não dando o reconhecimento à capital goiana.

Preservação histórica

Kitão explica que o Museu e Memorial é justamente para dar esse reconhecimento ao evento histórico, com uma área, um local de exposição e espaço de homenagem e preservação histórica.

Caso seja aprovado em definitivo, sancionado e implementado pela Gestão, o espaço deverá contar com área de convivência e terá como objetivo homenagear as vítimas, preservar a memória histórica e seu impacto social, além de servir como um espaço cultural e educativo para escolas, universidades e visitantes.

“A cidade de Goiânia tem em sua linha do tempo o maior acidente radiológico do mundo. Está em nossa história e deixou um legado de dor, estigmatização e desinformação, mas também revelou a solidariedade de profissionais de saúde, bombeiros, militares e cidadãos que atuaram heroicamente no socorro às vítimas”, justificou.

Centro Regional

Hoje, a capital goianiense conta apenas com locais ligados ao acidente que foram concretados. O único espaço reservado para a memória está em Abadia de Goiás. No local, mais de 6 mil toneladas de rejeitos contaminados foram recolhidos e estão enterrados em duas caixas de concreto, em uma área de 32 alqueires, dentro do Parque Estadual Telma Ortegal, às margens da BR-060.

Lá, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), que é vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Sua função é monitorar os rejeitos do Césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade.

“Nossa ideia é ter um local em Goiânia, assim como existe em Nova York, nos Estados Unidos, no Museu e Memorial do World Trade Center. O local preserva a história e a memória das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. É importante termos esse mesmo espaço aqui”, justificou.

Segunda tentativa

É a segunda tentativa de um projeto de lei semelhante. Em 2011, um projeto de lei do ex-vereador Túlio Maravilha (MDB) tentou a criação de um Museu na Rua 57, no Centro de Goiânia. O texto foi arquivado.

A nova proposta busca criar um Memorial na capital, sem delimitação de espaço. Conforme proposto, o Museu será implementado em uma área a ser definida pelo Poder Executivo.

Após aprovação em plenário, o projeto passará ainda por Comissão Temática e pela segunda e última votação.

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